Zeus

Ao meu Zeus.

Há perdas que não cabem em palavras. Esta é uma delas, talvez a mais dura até agora.
Quando chegaste, foi pelas minhas mãos, pequeno, deixado de lado na ninhada, mas pronto a desafiar o destino que te era quase certo! Dei-te de mim e tu retribuíste com uma vida imensa ao meu lado. Alimentei-te, dei colo, conforto e a partir daí éramos só nós os dois. Sem que eu me apercebesse, foste ocupando um lugar que nunca mais seria de nenhum outro animal. Cresceste comigo. Assististe às minhas quedas, às minhas conquistas, às mudanças da vida e à chegada de quem hoje é a minha família. E tu , sempre ali. Sempre presente.
Diz-se que os cães acompanham uma parte da nossa vida, mas tu acompanhaste a construção da minha.
Salvaste-me inúmeras vezes. Nem sempre de perigos que os outros conseguiam ver, mas da solidão, do medo, do cansaço, da tristeza. Houve dias em que foste a única certeza de que ainda havia um lugar onde eu podia descansar o coração.
Tinhas uma forma rara de existir. Não ocupavas espaço… simplesmente o preenchias. Percebias o silêncio, reconhecias a dor e aproximavas-te sem nunca invadir. Como se soubesses exatamente quando alguém precisava de ti.
Amaste sem escolher. Protegeste sem hesitar. Deste tudo o que eras, todos os dias da tua vida, sem nunca pedir absolutamente nada em troca.
Hoje a casa continua igual.
Mas já não é a mesma.
Há um silêncio que não existia. Um vazio que não se vê, mas sente-se em cada canto. É estranho perceber como um ser tão pequeno consegue deixar uma ausência tão imensa.
Partiste rodeado de amor. E isso será sempre o meu maior conforto. Até ao último instante soubeste que eras da nossa família. Nunca te deixamos sozinho, e a nossa Teresinha, no alto dos seus 4 anos, nunca te largou a pata, com uma força e maturidade que eu não consegui ter. Chorei, chorei muito. Como não chorar??
Há uma frase que ouvi muitas vezes: “É só um cão.”
Quem a diz nunca teve a sorte de conhecer um como tu.
Porque tu nunca foste “só um cão”, foste testemunha da minha vida. Foste o guardião dos meus dias. Foste abrigo quando o mundo parecia demasiado pesado. Foste casa.
Obrigado por tudo o que deixaste em nós.
O tempo há de ensinar-nos a viver com a tua ausência. Mas nunca nos ensinará a deixar de sentir a tua falta.

Até um dia, meu querido Zezocas. 🤍
Tenha os cães que tiver, não terei melhor que tu.

28/05/2009 – 24/07/2026