O texto mais temido dos últimos anos chegou.
O ano era 2010 quando me pediram para ver o que estava dentro da caixa de cartão, mesmo à entrada da sala na casa dos meus avós. Eu tinha 8 anos, e todos sabiam o que eu pedia consecutivamente nos meus aniversários: um cão ou um irmão. No fim, a vida decidiu ser tão generosa e deu-me as duas coisas no mesmo nome: o Ruca.
O Ruca não foi só um cão. Foi o meu melhor amigo, o meu irmão escolhido, e, para os meus pais, foi também um filho. Daqueles em que o amor não se explica, só se sente. Cresceu connosco, cresceu comigo, e fez parte de cada pedaço da nossa vida.
As saudades ficam: ficam em cada gesto que era tão dele. Quando ia ao caixote do lixo do meu quarto e espalhava os papéis pelo tapete. Quando ele vinha limpar-se à minha manta, como se aquilo fosse um guardanapo.
Quando brincávamos às escondidas pela casa inteira, mas ele já conhecia os meus sítios estratégicos. (Eu era sempre descoberta)
E aquelas “discussões” na nossa casa, para ver quem é que se levantava primeiro para lhe ir dar água no bidé, através do barulho das patas a raspar ou do seu ladrar que ultimamente já era rouco. (O meu menino era tão chique que só queria água do bidé)
E podia ficar aqui horas, dias, a lembrar-me da nossa vida durante estes longos 15 anos.
Foram anos muito bons ao lado dele, mas nada se compara à dor que sinto ao pensar na minha vida sem ele.
01/04/2010 – 14/11/2025
Gratidão, da tua eterna família 🤍
(Do Kiko, da mana, dos pais, dos avós, dos tios e das tias.)