Moka

Nossa menina, nossa princesa linda…
Vieste ao mundo na casa que seria tua por toda a vida. Foi um privilégio ver-te nascer — tão pequena, tão perfeita, tão encantadora.
Nasceste com um irmão que partiu minutos depois, e talvez por isso te tornaste única, dona de ti, de tudo e de todos.
Foste criada rodeada de amor, e desde cedo encheste a nossa casa de luz e de vida.

Tinhas um encanto natural, uma nobreza nas atitudes e um feitio muito próprio — amavas-nos incondicionalmente, mas à tua maneira, sempre fiel ao teu coração.
Fazias o que querias, quando querias — e não porque alguém te mandava. E nós não te queríamos de outra forma.
Eras única. És única. Serás sempre única nos nossos corações.

Foste possessiva e protetora, dona absoluta do teu território.
Ai do gato que ousasse atravessar o teu caminho — soltavas o teu grito de guerra,  “ou mato ou morro”, com toda a coragem que te caracterizava.

Foste tão amada… O Sérginho era o teu irmão de alma, o teu escolhido para dormir e partilhar os silêncios.
O pai era o teu cúmplice nas brincadeiras mais loucas.
E eu, tua mãe, era quem te cuidava, alimentava, observava cada gesto, cada mudança, cada sinal.
Adoravas o meu carinho e as minhas festinhas — e eu adorava o teu olhar, essa mistura de doçura e independência.

Ah, Moka… quantos sofás e tapetes resistiram a ti? Nenhum!
Coçadores de unhas eram “para meninos”, dizias com o olhar.
E no veterinário, que terror! Tão linda, tão fofa, mas com uma coragem e uma força que ninguém conseguia dominar — a não ser, às vezes, a Dra. Margarida.

Foste feliz, mesmo com os contratempos que a vida te trouxe.
Sempre lutadora, sempre resistente, superando tudo com dignidade e bravura.
Durante doze anos foste a nossa alegria, a nossa companhia, o nosso amor diário.

Agora somos três… e há um vazio imenso na casa e nos nossos corações.
Este cancro maldito voltou para te levar, e ainda assim lutaste até ao fim — com a mesma força e coragem que sempre te definiram.

Não há pedigree maior do que o teu.
Foste — e és — a nossa Deusa Tríplice, como Bastet, a Deusa dos gatos e do amor no antigo Egito.
A mais adorada, a mais importante, tal como foste para nós.

Amamos-te e amaremos sempre, minha Deusa.
Ficamos sem a tua presença, mas nunca sem a tua proteção.
Onde quer que estejas, continua a velar por nós, nossa Moka.

 

Moka 02-05-2013 a 12-11-2025

12 anos e meio de plena ternura!